quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

D7.

Um.
















Dois.Três.

perfeito.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

adeus, senhor do olá.

Ainda me lembro da primeira vez que o vi. Estava vestido com um casaco de fazenda branco, comprido, impecavelmente penteado. O Nuno gritava da janela do carro: "olha olha, aquele é o senhor que diz adeus!". Pensei para os meus botões: "Deve ser maluquinho...coitado!".

Ao longo do tempo vi-me a acenar-lhe quase diariamente, e a falar dele a todos que me vinham visitar à capital. Lembro-me de desviar pelo Saldanha com o André para lhe irmos dizer adeus.Do seu olhar terno, do frio que devia passar todas as noites cumprindo religiosamente a sua missão.
Houve uma altura em que deixei de o ver. Alguém me pregou a peta de que tinha sido espancado e violado e mais nao sei o quê, e foi então, passados uns quantos meses, que o voltei a ver, com um outro casaco preto, mais quente, que alguém lhe deve ter dado depois da entrevista que o tornou ainda mais famoso. Foi bom, estava bem, continuava com aquele ar cuidado e sonhador, com a mesma alegria inocente. Ainda acenava, mandava beijinhos, e sorria.

Dizia "eles precisam mais de mim do que eu deles"...e foi então que entendi que coitados somos nós, não ele...não acenamos a desconhecidos, não confiamos em ninguém, raramente sorrimos a quem passa, não tiramos a cabeça do umbigo, nem os phones dos ouvidos...andamos pela rua,mais ou menos apressados, com a cabeça na nossa vida e na nossa música, perdemos a beleza da cidade e das suas pessoas.
chamos que um sorriso é uma maneira intrusiva de um estranho olhar para nós, sentimos que aquela pessoa está a fazer um juízo de valor de qualquer espécie. Ficamos o resto do caminho a escrutinar a nossa personalidade - "porque será que aquele gajo me acenou, me sorriu? será porque me achou feia, bonita, esquisita, será a minha roupa, será que o conheço de algum lado...?"... O senhor José simplesmente responde que é porque está feliz, porque quer fazer quem passa sorrir de volta. É incrível esta lição de vida, de quem não é famoso, não escreve livros, não tem um programa de opinião na TV, não faz grandes acções de formação na net...simplesmente é um grande observador. E, na verdade, ele sempre me fez sorrir, sempre lhe atirei beijinhos, fez parte da Lisboa que eu sempre quis que existisse.

Agora Lisboa está mais triste. A praça do Saldanha está de novo sisuda, metida na sua vida e nos seus problemas.

Há uma petição para erguer uma estátua a José Serra. Sou a favor, completamente, ele tocou músicos, escritores, artistas, jornalistas e todos nós. Dedicou a sua vida a contribuir, com o pouco que tinha, para tornar a cidade mais bonita. Lamento a quem esta opinião choca e ofende, mas fez mais por mim do que muita gente que está representada nestas pracetas. Obrigada.


"Chamam-me o Senhor do Adeus mas eu sou o senhor do Olá (...) Tudo isto é solidão? Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias da casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, se sentir gente (...) Só fico triste quando o movimento acaba.".
in Público.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

FML: estado de espírito.


Nestes últimos 7 anos passou muita coisa por mim, muita gente. Em bom Português, não conseguiria para já fazer uma balanço do quanto mudou a minha vida desde que vim para Lisboa. Talvez quando, em breve, a vir de uma perspectiva diferente. Com a faculdade sempre tive uma relação amor/ódio, nunca me identifiquei muito com a gente que lá passava, mas isso também acabou por não ser assim tão diferente do resto das rotas que percorri, pois filtradas bem as coisas, fiquei com amigos para a vida. O que é certo, e é exactamente isto que pretendo tratar neste texto, é que tenho orgulho da minha faculdade, da grande imaginação da "minha" gente, e de tudo que aprendi com ela.
E aqui ficam alguns momentos, para partilhar com vocês, que se se estão a dar ao trabalho de ler isto, são concerteza uma parte importante de mim, mesmo que não o saibam.
Obrigada.




(neste há uma cara conhecida, aliás, várias:p )






*menção honrosa ao João e à Ginja*
- Sítio onde são feitos os crmos porque só se estuda aqui...
...aqui tu queimas a pestana, isto não é Santana.

sábado, 9 de outubro de 2010

dias de Outono. e as idiotices que fazemos com eles.

Agora chegou a responsabilidade e o trabalho.

E o que é que nós andamos a fazer?
Isto!...




*Adoro o cheiro do Outono e dos dias cinzentos. So sue me!
* "or fuck them all and get a job in orthopaedic surgery"

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

a explicação maisoumenos científica.


[O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela diz. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor.
Reorganiza as coisas.
Liberta-me.
"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então, foda-se!" O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade que "comó caralho"? "Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão
matemática.

A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!
Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!". Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem. O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto. Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades de maior interesse na tua vida. Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência. Solta logo um definitivo: "Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!". O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema, e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito assim, põe-te outra vez nos eixos. Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"? Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?
Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima. Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de
maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!". Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para
uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando estás a sem documentos do carro, sem carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os
empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!” ]


MillôrFernandes (adaptado)


Nelson, a minha teoria era que "com'ó caralho" = muito, mas no final da frase. Pois bem, há quem diga que tende para o infinito.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

gay.

Já não dava de caras com um texto assim há muito tempo
(a pedido do João, está aqui o link do texto a que me refiro: http://oalfaiatelisboeta.blogspot.com/2010/07/o-orgulho.html). Estou intrigada, não sei o que pensar. A primeira vez que o li o adjectivo que fez pop no browser da minha cabecinha foi: cru.

Admirei-o por isso.

Numa segunda impressão, pareceu-me um tanto ou quanto infantil...hum, se calhar não é esta a palavra certa...talvez imaturo - alguém que quer desesperadamente chegar lá mas ainda não entendeu bem o busílis da questão.

Depois li os comentários ao post e fiquei chocada. Como é que conseguimos chegar a este ponto? O ódio e a raiva bruta do que aparentemente são duas facções de uma espécie de província separatista de um país que a mim me é estranho, onde uma alQaeda atira pedras aos catalogados KKKlan, que por sua vez respondem com cocktails molotov.

Eu atiro-me ao chão ideológico, e protejo a cabeça com as mãos: acho que o autor do texto escreve o que pensa, com toda a honestidade de alguém que tenta ser justo. Talvez seja complicado separar-se do Superego intrincado, mas pelo menos o homem esforça-se! (não quero pensar que seja só para ser supergiro dizer que é liberal e que "adorava ter um melhor amigo gay" como se fosse um animal de estimação para levar às compras).


Enfim, o que eu não entendo é porque é que simplesmente se tornou antinatural uma coisa que sempre foi natural em toda a história da humanidade. E não adianta meter a cabeça na areia e argumentar que cada um faz o que quer porque a orientação sexual do indivíduo não vem no BI, ou aliás, sendo mais moderna, no CU! Não vem, de facto, mas é uma das coisas que define a nossa identidade, e ninguém deve ser coagido a esconder, ou se preferirmos o mais politicamente correcto "não revelar" , o que lhe dá na gana fazer num sábado à noite. E é importante mesmo em termos de saúde, de planeamento familiar, de apoio social, etc.

Porquê então fazer uma guerra à volta de uma coisa tão simples? Alguém me explique onde se traça a fronteira entre gays e não-gays?E depois há os menos gays, os mais gays, os muito homofóbicos, os que até toleram e os que fingem que toleram e os típicos Não sabe/Não Responde? Medo.

E se cada "parte" defende tão cegamente a sua ideia ao ponto de crucificar sem dó nem piedade um rapaz qualquer que decide expressar a sua opinião (a qual, curiosamente, era até há bem pouco tempo mais uma coisa livre), pergunto-me quem será mais sectário...credo:

Cá está o post da polémica. Gostava de saber o que pensam. Eu aparentemente tenho a profundidade intelectual de uma batata, porque não entendo isto.

sábado, 21 de agosto de 2010

pa pa pa américánu!



adoro, nunca tinha visto o videoclip. não me interessa se dizem que é foleiro. adoro na mesma (:
(ele esconde-se dentro de um saco de batatas, coméquiépossivel lololol !!! )




Parabéns Gi:)