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domingo, 25 de abril de 2010

graVidaDe.


É tarde e não tenho sono. Depois de algum zapping parei num dos canais do costume (aborreco-me facilmente a fazer zapping, não resisto a tantas cores brilhantes). Nunca tinha visto este programa, e ouvi vagamente falar da versão portuguesa, mas não consigo desviar o olhar, não consigo... Lembra-me de como adoro dança, todas as suas formas, de o fazer e de o ouvir... como no outro dia, quando ainda vibrei com uma paixão do rodrigo leão, mas não, não deve ter sido só pelo amor ao tango.
E aí vem ela,poderosa, uma reminescência de como, tal como a música, me emociona. É como borboletas no estômago, revolve-me as entranhas. E é bom (re)encontrar esse pedacinho de mim.

A rapariga que ganhou o concurso é incrível, mas esta aqui, é claramente a minha favorita.
E este vídeo dedicado à "addiction", a expresssão da viciada e do seu vício...impagável.










"Set me free, leave me be
I don't wanna fall another moment into your gravity"

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

chuva.


"Escolho os meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero respostas, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que não sabe rir comigo, não sabe sofrer comigo.
Os meus amigos são todos assim: metade parvoíce, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois vendo-os loucos e santos, parvos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."


Oscar Wilde


Vamos ultrapassar a nossa chuva, compreendendo-nos, sobretudo. Vamos aprender um com o outro. Porque é o nosso sonho e é tudo o que importa.

domingo, 29 de março de 2009

vox populi.

Acho que toda a gente já recebeu um e-mail com frases da entrevista médico-doente (sim, é o nome pipi e moderno que se chama ao que dantes era apenas uma consulta...).

Fui a um congresso de Pneumologia na quinta feira, e para minha surpresa, ofereceram-me o livro que serviu de inspiração a esses famigerados e-mails. Foi escrito por um Otorrino do Porto, que passou 30 anos a ouvir, como ele diz, " a medicina na voz do povo".

Posso dizer que já ouvi a minha quota-parte disto. Há muita gente que pode considerar este livro insultuoso, mas se calhar não têm noção que a maioria dos doentes dos hospitais tendem a estar assustados com a sua doença, por mais simples que seja, o que é mais do que natural. Assim, como é típico da condição humana, têm de arranjar explicações para tudo o que desconhecem.

Algumas destas, chamemos-lhes opiniões, são verdadeiras pérolas. E ajudam-nos a chegar ao fim do dia com um sorriso na cara! Nem sempre é fácil, já que esta ignorância, na grande maioria dos casos que me passam nas mãos, é uma benção.
O prefácio do livro foi escrito pelo Júlio Machado Vaz, para quem não sabe é Psiquiatra, e de quem eu não sou especialmente fã, mas de vez em quando até escreve umas coisinhas giras (o mesmo não acontece no su blog, mas enfim...). Resume assim o que a maioria dos médicos pensa (ou devia, se não tiver sido apanhado pelo "bicho"):

"(...) o livro do Carlos, sendo um auxiliar precioso para a arte da Medicina, é também, clandestino por trás da modéstia e discrição do autor, um testemunho inatacável da excelência com que este a pratica."

Então, passei umas boas tardes a rir-me, muito profissional e respeitosamente, claro;)
Genial.

"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido."
"O último antibiograma que fiz dava Proteus Miserável (Proteus Mirabillis). E que miserável que ele era!"
"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido" - Referência à manobra de Valsalva hihihi

Sobre otites supurativas (basicamente deitar pus pela orelhas...):

"Deito um pus que parece água de castanhas cozidas."
"Eu esterrincava sangue do ouvido direito. O médico disse-me que me rebentou a tese no ouvido"

Sobre a surdez e os aparelhos auditivos....

"ouço bem, é preciso é falarem-me alto."
"deve ser aquele bichinho, que a gente tem dentro do ouvido, que morreu."
"fizeram-me um exame psicotécnico e verificou-se que os meus ouvidos não ofereciam resistência para condutor de transportes públicos"
" nem aparelho posso usar porque a minha cabeça é alérgica e rejeitou o aparelho"

A boca...
"gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor"
"o médico disse que era um biruço (vírus) e eu acredito que sim, uma vez meti o dedo pela garganta abaixo e lá estava o filho da mãe, trraque, trraque, a morder!"
"O sr.doutor disse que eu tinha as amígdalas putácias (pultáceas)."
"não é nas inginas, é no cano"
"a minha voz fica muito trémula e com ligações ao cérebro."
"a minha espectoração é limpa, assim branquinha, parece, com a sua licença, espermatozóides."
"ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal."
"O que me faz mal é chorar. A água que deito pelos olhos faz-me falta ao cérebro."

Aparelho circulatório e digestivo...

"Eu sou hipertensionário."
"Fui operado ao panquecas" (pâncreas).
"tenho duas úlceras, e é porque o sr dr não puxou por mim,senao tinha mais!"
"tive três úlceras, um macho, uma fêmea e uma de gastrina."
"sr dr a minha mulher tem umas almorródias que, com a sua licença, nem dá um peido."

...e claro, o génito-urinário...

"às vezes prega-se-me uma comichão nas barbatanas..."
"tenho de ser operado ao stick, já fui aos estículos."
"oh sr dr tenho muita ardialeja na via de serventia."
"tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza."

...e finalmente, o que o doente pensa do médico...

"Tem umas mãozinhas, como se diz...é o nambulano!" (number one).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Smile like you mean it...



Realmente isto anda parado.
Para responder à pergunta que muitos me fizeram hoje: Como estou?...hum...

Diria cansada, acho que é isso.

Ponto alto do dia de hoje: ir comprar marcadores novos ao Continente. Acho que isso resume quase tudo.

Aproveito para dizer o que não tenho tido tempo para exprimir: obrigada. tenho saudades vossas. fazem-me falta. falando sério.






sexta-feira, 7 de novembro de 2008

há PaLaVraS paRa tuDo.


É bom adormecer com um post espectacular: http://caderno.josesaramago.org/2008/11/06/palavras/ .

Adoro este homem.

Há quem o chame arrogante, pouco nacionalista, e uma montanha de outras coisas...mas é o facto das suas palavras serem tão simples e as idéias tão claras que me fazem rever no seu génio.
Tenho uma teoria sobre isto (para variar :p ): acho que as coisas mais simples são sempre as mais complicadas de fazer, isto em termos de produção artística. Por exemplo, as músicas mais extraordinárias que já ouvi são muito pouco elaborada, aliás, são os primeiros acordes diferentes (e atenção, sublinho o facto de serem os primeiros e serem diferentes - não estou a falar dos parabéns a você ou das músicas da floribella) que iniciam um novo movimento musical. Os Nirvana, por exemplo. Gostos aparte, o homem era um génio. Só precisou de 3 acordes.

A escrita do Saramago é igual. Ok, o Homem é um prémio Nobel! E vai-se a ler os livros dele, a leitura é fluida e simples, entranha-se nas nossas ondas beta, caramba, é empolgante! Ora, supostamente alguém com uma cultura acima da média, com um domínio extraordinário da língua, e com a importância dele devia escrever livros que eram, no mínimo, uma grandessíssima seca! Complicadíssimos, e mais densos que o nevoeiro das Beiras. Pois não, histórias simples. Palavras claras e inspiradoras. Muito sentimento. Já disse que adoro este Homem?
Meia dúzia de palavras e vai-me pôr uma noite inteira a pensar...gosto:D

"..não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer."
José Saramago