sexta-feira, 23 de julho de 2010

posso largar um pouco a mão do meu mostrinho.


Hoje foi um dia muito importante para mim. Saiu dos meus ombros parte de uma carga que nunca quis, e me acompanha à cerca de um ano. Vacilei, não é costume, mas confesso. Vacilei, fez-me tremer, tive medo. Agora tenho um pouco menos. Estou bem.

domingo, 20 de junho de 2010

no dia seguinte, ninguém morreu.


"Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach composta em cothen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a nona sinfonia de beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade entre os homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, e pernas, e pés, e braços, e mãos, e uns ombros que tremiam não se sabe porquê, chorar não será, não se pode pedir tanto a quem sempre deixa um rasto de lágrimas por onde passa, mas nenhuma delas que seja a sua. Assim, como estava, nem visível nem invisível, em esqueleto nem mulher, levantou-se do chão como um sopro e entrou no quarto...(...)

(...) Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que podia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que podia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu."


As Intermitências da Morte - José Saramago
Recebeu a sua carta violeta, mas concerteza que ela o olhou, o contemplou durante muitos anos até ao inevitável.


segunda-feira, 10 de maio de 2010

reSsaCa LeNdáRia e tiGrada (it's a map were you can read all my fears, pain and bullshit).



Este fim de semana fomos à queima, e apesar de vos ter arrastado para o concerto, acho que foi simplesmente brutal. Estava com muita saudade do nosso pessoal, e até de toda a parvoíce que fizemos.
Ao longo da semana também me apercebi que tenho uma sorte ridícula, por poder ter coisas tão boas. A vida fez-me suar, mas ensinou-me umas quantas coisas, tal como a ti, aliás seguimos estradas afastadas, mas paralelas. Entre muitas outras coisas (acho que esgotei a palavra coisas neste momento, como vês estou a tentar ser muito pouco vaga) ensinou-nos a lutar,e se calhar esfriou o nosso coração mais do que deveria, mais do que às vezes penso que seja justo até... mas mesmo assim ainda conservamos a capacidade de ser felizes. E acredita que quanto mais olho em volta, mais gente perde aquela chama, aquele redemoinho que sentimos na barriga, e simplesmente deixa "aquilo" ganhar. Chama-lhe rotina, ou vida, ou circunstâncias, ou idade, talvez falta de paciência, não me importa, custa-me, sabes que me mata vê-lo em pessoas que gosto e/ou admiro. E nas que não me surpreende, só me entristece. Eu não sei o que lhe chamar, sinceramente, só sei que será a palavra oposta a paixão. Por falar nisso, e continuando o que te dizia, sabes que sou apaixonada por Lisboa, e que a vida entregou-me esta cidade de bandeja, para explorar, sozinha e assustada. E agora adoro todas as pedras de cal, o Rio, os jardins, as conversas, a música, as ruelas...ai as ruelas e os pregões. E posso partilha-la contigo. Tirou-me o Porto, para quando voltasse, aprendesse a ama-lo, e agora excitam-me as pedras de breu, e emociona-me as pessoas que deixei por lá, todos os cafés, mesmo aqueles que já te parecem banais. E cada pedacinho disto que partilhamos, sei que tu vives com a mesma intensidade que eu, que aproveitas todos os bocadinhos de tempo, que levantas os braços comigo no concerto, que brindas e cantas e danças comigo no meio da rua, por tudo e por nada, tens noção que nós cantamos por tudo e por nada ? ...porque no fundo sabemos que qualquer dia pode ser o último, e isso dói, e falamos sobre isso pela primeira vez na nossa vida. Mas ainda não é hoje, nem foi ontem, e agora, só em pensar no final da semana, estou feliz. E não, nunca vamos conseguir ser pessoas graves e sérias. Ainda bem. Gosto muito de nós, infantis, 80% parvas, intensas e muito felizes.






"- But you knew i'm no good
and your familiar with my kind.. (...)
Last night I got so wasted
Can't be who you expect me to
...be.
I say life ain't enough for you
You say baby what you gonna do
Yeah what you gonna do?
Baby can't you see
That death will never be
As good
as life
today
Baby what you gonna do?"

LTM - "life ain't enough for you"

sexta-feira, 7 de maio de 2010

unsteady.


Quando cheguei ao bairro, o filipe cantava a hallelujah desalmadamente, com a guitarra e com a alma ali, despida.
eu hoje adormeço com esta. é sempre esta. passe o tempo que passar.




enebriada...esta letra arranca-me as vísceras.esta sensação doce embala-me, e ajuda. unsteady, que bom para descansar a cabeça, e saber que amanha passa.

"I lost myself on a cool damp night
I gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree
I made wine from the lilac tree...
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
and be what I want to be
When I think more than I want to think
I do things I never should do
I drink much more than I ought to drink
Because it brings me back you...

Lilac wine is sweet and heady, like my love
Lilac wine, I feel unsteady, like my love
Listen to me... I cannot see clearly
Isn't that she coming to me nearly here?
Lilac wine is sweet and heady, where's my love?
Lilac wine, I feel unsteady, where's my love?
Listen to me, why is everything so hazy?
Isn't that she, or am I just going crazy, dear?
Lilac Wine, I feel unready for my love,
feel unready for my love."

Jeff Buckley - Lilac Wine

- *silêncio* (eu acredito em ti).
-...

domingo, 25 de abril de 2010

graVidaDe.


É tarde e não tenho sono. Depois de algum zapping parei num dos canais do costume (aborreco-me facilmente a fazer zapping, não resisto a tantas cores brilhantes). Nunca tinha visto este programa, e ouvi vagamente falar da versão portuguesa, mas não consigo desviar o olhar, não consigo... Lembra-me de como adoro dança, todas as suas formas, de o fazer e de o ouvir... como no outro dia, quando ainda vibrei com uma paixão do rodrigo leão, mas não, não deve ter sido só pelo amor ao tango.
E aí vem ela,poderosa, uma reminescência de como, tal como a música, me emociona. É como borboletas no estômago, revolve-me as entranhas. E é bom (re)encontrar esse pedacinho de mim.

A rapariga que ganhou o concurso é incrível, mas esta aqui, é claramente a minha favorita.
E este vídeo dedicado à "addiction", a expresssão da viciada e do seu vício...impagável.










"Set me free, leave me be
I don't wanna fall another moment into your gravity"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

f*%ck facebook.

Right? Right?


quarta-feira, 7 de abril de 2010

sOuL suRgerY.






























(via loveyourcaos)




"-
Tem azul como tu gostas!
- E isso é tudo para mim?
-É, e até pintei também com lilás, sei que também gostas.

"