sábado, 30 de janeiro de 2010

a liberTaçãO doS abrAçoS.




Abraços...


Quem me conhece sabe que adoro abraços. Adoro tudo o que se consegue dizer num abraço.
Se calhar o meu jeito tosco de revelar sentimentos é de certo modo compensado pela minha forma física de me expressar. Não tenho medo de tocar, de sentir, de exercer aquela pressão leve para por em rebuliço o sistema nervoso simpático.
E não há abraços e abraços, um abraço expressa sempre carinho, seja por saudade, por amor, por medo,admiração ou por tudo em simultâneo. Lembro-me de inúmeras vezes em que simplesmente não conseguia formular uma frase para dizer tudo o que sentia naquele momento, e tentei com todas as minhas forças que o gesto falasse por mim - E não,não foi mais fácil! Foi bem mais difícil, porque abraçar alguém implica quebrar todas aquelas barreiras que construímos à nossa volta e nos protegem tão bem.

Já tinha ouvido falar muitas vezes nesta iniciativa Free Hugs, mas nunca tinha ligado muito, especialmente porque foi um bocado banalizado por aquelas modas do pessoal dos festivais de verão. Pensei que tinha sido ideia de algum gajo com a mania que era superdiferente e supergiro andar aí a dar abraços e a meter-se com gajas (que era exactamente o objectivo dos betinhos de calções de banho às flores do Sudoeste). Porém, no outro dia, andava a coscuvilhar coisas no iPOD e ví o vídeo original da campanha. Apercebi-me que o gajo que eu tinha julgado tão mal, na realidade está mesmo a abraçar pessoas pela felicidade que é receber um abraço.
E mais, o facto de serem "à borla" realmente faz sentido. Senão pensem, quanto custa um abraço? Hoje em dia é muito difícil alguém gostar de outra pessoa ao ponto de a abraçar espontâneamente. E se conseguirem encontrar essa pessoa, primeiro têm de ultrapassar todos os problemas de confiança que ela inevitavelmente vai ter. Depois, têm de tentar não a desiludir no período "de testes" da amizade. Depois disso, têm ainda que a convencer a ultrapassar os estigmas do politicamente correcto e das segundas intenções. E se finalmente conseguirem tudo isso, e fizerem um amigo, é necessário que ele esteja atento suficiente aos vossos problemas para saber quando precisam de um abraço, e que esteja lá para ti e não demasiado ocupado com a escola, o trabalho, o namorado/a, amigo/a colorido, cão, gato e periquito. Ah e que não seja hipocondríaco e com medo que lhe pegues Gripe A ou Herpes genital ou outra coisa qualquer.
Pode ainda achar-se demasiado
cool, ou ridículo e infantil por estar a dar um "abracinho".

E aí sim, talvez.
Isto não custa? e muito?
E se ainda não vos convenci com o meu patuá, pensem, quantas pessoas abraçaram hoje?
E quem vos abraçou?...
E não é bom?...







A little less conversation
a little more action, please.


2 comentários:

Bledine disse...

obrigada pelo abraco virtual de hoje :)****

Euclides Vega disse...

Lua, encantador e inspirador...
sabes que tens daqueles abraços místicos que a tudo faz ficar melhor, que a todos acarinha e acolhe... adoro-te abraços do lado de cá.